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Caçando cafés onde não tem cafezal

Nessa vida de coffee hunter eu acabo viajando muito. Tenho o privilégio de conhecer famílias, histórias e paisagens bem diferentes todos os anos. E morar no país líder do café de excelência me fez conhecer bem o Brasil cafeeiro. Mas desde que eu vim para a Moccato, fui provocado a pensar além do nosso país. Aqui a gente preza o café de excelente qualidade, mas sem arrogância. Por isso, passei a olhar para fora do Brasil para tentar aprender com a experiência de outros cultivares mundo afora.Foi juntando esse pensamento com o convite de um velho amigo que decidi rumar para a África do Sul.

O continente africano produz grãos reconhecidos globalmente. Mas a África do Sul não produz café. Os grãos africanos que se destacam em excelência normalmente vem da Etiópia, Quênia, Ruanda, Malaui ou Burundi. A África do Sul não tem clima nem terreno favorável ao cultivo dos cafés especiais. Mas ela encontrou uma maneira de fazer parte do delicioso mundo cafeeiro.

bp-africa-do-sulO que acontece é que ela se dedica às torrefações. Um bom grão e um cultivo cuidadoso são essenciais para uma boa bebida, mas o ponto da torra e as técnicas de preparo também são decisivas no processo e podem criar bebidas muito diferentes dentro de um mesmo lote. Uma das capitais do país, Cidade do Cabo, abriga pequenas torrefações e tem uma cultura de café surpreendente, ainda mais para um país não-produtor.

Ao contrário do Brasil, que proíbe a entrada de café verde no país, a África do Sul se dedica a importar esses grãos ainda crus e transformá-los produto nacional desenvolvendo torrefações próprias. Por conta dessa expertise, os melhores grãos africanos sempre acabam passando por lá.

Sabendo disso, elaborei toda uma programação para que eu pudesse conhecer alguns cafés e microtorrefações da cidade. Para a minha surpresa, meu amigo e a família dele resolveram acompanhar a mim e à minha esposa em alguns desses lugares, o que foi bem divertido. Além de conversar com especialistas, eu pude ver as reações de quem não está acostumado com cafés experimentais e drinks exóticos. Um deles foi o Espresso Tonic, a bebida que mistura água tônica com café espresso. Essa combinação no mínimo inesperada realça as notas florais do café, criando um resultado diferente e delicioso. Bom, essa parte vocês já conhecem, afinal o Espresso Tonic foi tema da nossa caixa de janeiro.

img_9073_squareNesse tour eu provei cafés de praticamente todo o continente. Os do Quênia eram sensacionais, foram os que mais me chamaram a atenção. Eles tinham notas que eu desconhecia, como damasco ou alguns tipos de ameixa e eram realmente incríveis. Os da Tanzânia e de Ruanda era de um padrão seco sem ser duro, cafés densos com uma presença realmente diferente na boca. Me surpreendi com cafés etíopes que tinham acidez cítrica e bastante presença de flor, provei cafés com notas de menta, de eucalipto. Aqui no Brasil é Impossível provar cafés vindos da África porque a nossa restrição à entrada de grãos crus faz com que o café seja enviado para a gente já torrado, e por conta disso ele chega “velho”, sem as notas gustativas mais delicadas..

Além de provar cafés incríveis, eu pude conversar e vivenciar experiências com o pessoal da The Tribe e da Origin Coffee Roastery. Foi bem interessante trocar conhecimento e reconhecer neles o mesmo carinho e cuidado com o produtor que a gente tem aqui na Moccato.

bp-origin-cafe-2Mas a experiência do café na Cidade do Cabo vai muito além da xícara. O pessoal realmente deu início a um movimento cultural de intimidade com a bebida. Nos bairros turísticos, nos espaços alternativos…. para todo lugar tem barista e pequenos cafés espalhados em quiosques e com mesas na rua. É realmente um movimento típico da terceira onda do café, o pessoal valoriza mesmo a excelência. Foi interessante observar por todo o canto…cafés especiais. Aqui no Brasil, em algumas cidades esse movimento já começou e com a Moccato o café especial está chegando a todo canto, pra fora das grandes cidades. É cafezaço do Oiapoque ao Chuí.