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Por dentro da Moccato: Jhone Lacerda

Um é refrescante e frutado. O outro é dourado e tem aroma com notas de castanhas. Com personalidades tão distintas, é difícil imaginar que o Boa Viagem e o Savassi vem do mesmo lugar. Os dois são produzidos no Sítio Santa Rita, que é comandado pela família Lacerda. Mas engana-se quem pensa que isso significa tradição. Pelo contrário, a história desta família e deste sítio é sobre a coragem de mudar.

 

Jhone Lacerda, atualmente responsável pela qualidade do Sítio Santa Rita, nasceu nessa roça. Quando ele tinha 3 anos, o pai dele decidiu se mudar para a cidade e levou a família consigo. Era para ele ter se tornado um jovem da cidade, se não fosse o hábito do seu pai, Tarcísio, de ir todos os domingos ao sítio.

 

Aos 15 anos, Jhone surpreendeu a família ao dizer que se mudaria de volta para o Santa Rita. A família não deu bola e apostou que seria rebeldia de adolescente. Mas um ano depois, seu Tarcísio e a mãe de Jhone se mudavam de volta para a roça, para acompanhar o filho que estava revigorando o sítio da família. Desde então se passaram 10 anos, o sítio evoluiu e atraiu também a irmã de Jhone, que agora é responsável pela parte financeira do negócios da família e o seu marido, que se tornou barista e toca a cafeteria da fazenda.

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Conversa com Jhone

Jhone, como foi que vocês começaram a produzir cafés especiais?

A gente já produzia café, mas produzia o commodity. Um dia meu pai chegou com uma latinha em casa. Ele abriu a latinha e eu senti um cheiro incrível. Eu perguntei o que era aquilo e meu pai falou que era um café especial de São Sebastião do Paraíso, do sul de Minas. Eu nem associava aquele cheiro com café, para você ter uma noção. Então eu decidi provar um pouco e fiquei encantando com o sabor. A verdade é que eu nem tomava café naquela época e quando provei aquilo perguntei na hora pro meu pai “por que a gente não produz um café gostoso assim?” Conversei com meus pais e nós passamos a buscar informação, eu fiz alguns cursos e nós fomos aprendendo.

 

O que você pensa da expansão do mercado de cafés especiais?

Ah é um sonho né? Saímos de uma realidade onde outras pessoas avaliavam nosso produto para uma situação de autonomia onde agora o produtor coloca o preço justo no seu café. Esse ganho em autonomia e em reconhecimento do nosso trabalho não tem preço. O que eu tenho de crítica é essa postura do “tem que”: tem que tomar sem açúcar, tem que tomar numa torra mais clara etc. Eu acredito no convite. Eu acredito em apresentar uma opção diferente, em levar informação para as pessoas, mas cabe a cada um a suas escolhas.

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Do que você se orgulha aqui no Santa Rita?

O que mais me traz orgulho nesse sítio é ver toda a família trabalhando junta. Cada um tem sua função e todo mundo busca excelência no que faz. Nós não deixamos de ser agricultura familiar, né? Isso eu acho uma baita conquista. Outra coisa é que estamos conquistando tanto espaço mesmo sem os concursos. Não somos contra e talvez um dia a gente participe, mas é impressionante  sermos valorizados pelas cafeterias e pelo consumidor mesmo sem esse impulso dos concursos. Isso e a família reunida aqui no sítio são minhas maiores fontes de orgulho, sem dúvidas.

 

Como pode um mesmo sítio gerar cafés diferentes?

É que são de talhões diferentes. A gente separa o terreno em quadros, de acordo com o terreno, dependendo do pedaço do morro onde está, também tem diferença de variedade de planta entre um talhão e outro e também tem a variação de processo. Alguns cafés a gente pode colher vermelho e secar do jeito que ele vem, é o que chamamos de café natural.

No caso do Savassi a gente colhe como outros, mas retiramos a casca antes de botar para secar. Quando o café seca sem a casca ele fica mais amendoado, mais achocolatado, mais delicado. Já quando secamos com a casca, o café fica mais frutado, mais doce, que é o caso do Boa Viagem. Combinando processos e talhões diferentes, dá para gerar muitos cafés em uma só fazenda. O trabalho do degustador é sentir essas diferenças e ir separando em lotes. Aqui no Santa Rita sou eu quem faz esse trabalho.

 

O que você recomenda para quem está começando a conhecer os cafés especiais?

Eu acho que o primeiro passo é tentar achar um café em grão. Para você ver o que você vai moer e vai consumir. Essa experiência já muda muita coisa. Eu também procuraria os produtores: tem várias fazendas abertas aos turistas. É super legal, você conhece os projetos, conhece o processo. O ideal é buscar entender o que o produtor faz porque vou te contar viu, dá muito trabalho mesmo  Aqui mesmo no sítio a gente tem roteiro para turista, a gente mostra o terreiro, mostra o plantio, a adubação, os cuidados da colheita, do pós-colheita, de beneficiamento, de torra, do barista, o processo todo.

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E aí? Ficou com vontade de dar um pulo no Sítio Santa Rita? Para visitar o Jhone e sua família entre em contato pelo site www.santaritasitio.com.br . Eles ficam a 6h de carro do Rio ou de Belo Horizonte e a 5h de Vitória, na beira do Parque Nacional do Caparaó.

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