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Cafeterias que amamos: Por Um Punhado De Dólares

By 25 de janeiro de 2017Café como negócio

Nesta semana teve festa na rua. Há 2 anos um professor de geografia decidiu trazer para o centro de São Paulo a possibilidade de tomar café de boa qualidade e sem frescura. A cafeteria Por Um Punhado De Dólares celebra, junto com o aniversário da cidade, o sucesso de uma proposta simples e inovadora. Conversamos com o Robinho, uma das pessoas que fazem a PPD acontecer.

 

Como você foi parar no café especial?

Eu comecei como garçom em buffet infantil. Dali virei bartender e depois no Santo Grão, que foi onde conheci todo mundo que faz o PPD. Eu já sabia bastante do mercado de bebida, mas foi lá que me aprofundei no mundo do café. Fiquei no Santo Grão uns 6 anos, até o Marcola me chamar para abrir o PPD.

 

Como surgiu o PPD?

O Marcola queria abrir um café de qualidade no centro de São Paulo. O centro já oferecia algumas boas opções de comida, mas se você quisesse tomar um café decente tinha que ir até os Jardins ou até Pinheiros. Ele queria abrir uma casa que oferecesse um bom espresso ao pessoal do bairro, por um preço regular e sem frescuras. Apenas um bom café para gente normal. A ideia é que tanto o doutor quanto o frentista da esquina possam tomar um bom café brasileiro. E só isso. Não temos mais do que 3 cafés na casa e o nosso espresso custa R$4, que é apenas R$0,20 a mais do que o do Estadão, por exemplo. Se os caras almoçam no Estadão e pagam R$3,80 no espresso de lá eles tem R$0,20 no bolso para tomar um café realmente bom.

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E da onde surgiu a coragem para empreender? Vocês fizeram cursos?

O Marcola já estava com essa ideia e a gente estava ruminando, naquela coisa de “um dia”. Até que o dia chegou, e bem antes do que a gente imaginava. O Marcola foi fazer manutenção numa máquina do Nice Cup, na Vila Mariana. Enquanto ele arrumava a máquina, a dona do café falou “se souber de alguém que queira comprar, eu estou vendendo”. Ela estava no vermelho há 2 meses e não queria nem pagar o aluguel do terceiro. Estava vendendo tudo por um preço super baixo, só para se livrar mesmo. Então ele me ligou e falou “Robinho, é agora ou nunca”. Essas mesas, essas cadeiras, a vitrine e a máquina, tudo isso que você está vendo a gente comprou dela. Então colocamos tudo isso entulhado na sala da mãe dele e partimos para procurar ponto aqui no centro.

Abrimos na loucura, sem saber exatamente o que estávamos fazendo. Nos primeiros meses o que segurou o PPD foi a manutenção das máquinas. Éramos quatro aqui e nos revezávamos no balcão enquanto eu e o Marcola saímos para fazer manutenção. Agora já conseguimos nos sustentar com o café, mas a oficina ainda funciona lá no fundo da PPD.

E da onde veio o nome Por Um Punhado de Dólares?

É do personagem do Clint Eastwood nesse filme. É um cara que é matador de aluguel, adora o que faz, mas faz por dinheiro. Foi o que aconteceu aqui. Nós adoramos café, gostamos mesmo, mas cansamos desse elitismo que vimos acontecer em volta do café especial. Tem uma galera que levou o movimento do café especial para uma frescurada e não é nisso que acreditamos. Acreditamos que um bom café pode ser servido para todo mundo. E foi até por isso que optamos em fazer o café da casa com torra escura.

 

Torra escura?

É isso mesmo. E se chama Fuck Coffee. Fizemos porque acreditamos que é possível um bom café que ainda esteja próximo do que as pessoas estão acostumadas e gostam. Já provei café com a torra tão clara que chega a ter notas de limão. Eu acho isso uma loucura. É claro que nossa torra não chega a carbonizar o café, mas é possível sim fazer torra escura com café decente. E estamos aqui para isso: servimos café de excelente qualidade e que as pessoas gostam.

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E o que mais vocês oferecem?

Não muito mais. Temos 3 cafés e 3 formas de extração. Nem colocamos o nome ali, é café um, dois ou três. Se nos perguntarem a gente sabe. Temos algumas opções de sanduíches e de doces, todos muito bons, mas sem frescura. Aqui as pessoas pedem no balcão, buscam e pagam também no balcão. Não cobramos 10%, temos apenas o pote das gorjetas. Todo mundo aqui adora café, temos muitos anos de experiência e fazemos nosso trabalho com excelência, mas sem afetação. De vez em quando aparece aqui um ou outro que nos pergunta detalhes de como fazemos o nosso espresso e a resposta é sempre a mesma: apenas fazemos o espresso.


A cafeteria Por Um Punhado de Dólares fica na Rua Nestor Pestana, 115. Essa pequena rua ainda passa desapercebida a muitos frequentadores da Praça Roosevelt, mas fica no coração do Centro revitalizado de São Paulo. E quando for visitar a PPD, não se esqueça de que os pedidos são feitos e retirados no balcão.

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